sexta-feira, 25 de novembro de 2016








Há espaços que não se preenchem
e voam pelos céus do oceano Atlântico
Sensações, percepções, estrelas solitárias
que pousam na alma
e viajam eternamente conosco

terça-feira, 18 de outubro de 2016



E esperou passar ...

passaram as nuvens
vieram as luas
os ventos mudaram destinos

e esperava passar ...

passaram as pessoas
as palavras
os versos e as poesias

e a espera se multiplicava ...

 vieram noites sem fim
dias sem noite
e um dia tudo passou
a espera se dilacerou
e a chegada desejada
jamais alcançou

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016








Eram três na estrada: a Flor de lótus, Ela e Ele.
Caminhavam rapidamente. Tinham uma missão: devolver a liberdade à flor.
Percorriam a estrada de pedras e terra. A floresta os espiava.
Cada passo dado ,deixava mais distante a cidade e suas vidas. A Flor se despedira horas antes da casa em que fora hospedada por Ele.
Ela e Ele não se despediram de nada, sabiam que voltariam aos seus destinos e por isso iam apressadamente pelo caminho.
Ela era urbana e se surpreendia pelas coisas que Ele lhe mostrava como a borboleta transparente, os gritinhos da rãzinha, as plantas medicinais. De dentro da sacola em que se acomodara, a Flor ria das expressões de surpresa da amiga e da admiração  que sentia pelas flores.
No caminho dois cães se juntaram ao cortejo. Eram cinco agora , fora os elementais que brincavam na floresta e resolveram seguir a procissão.
Chegaram. Era uma tarde chuvosa e sonolenta. Ele cuidadosamente retirou a Flor da sacola,  acomodou-lhes as folhas, olhou o lago, procurou o melhor lugar para deixá-la.  Despediram-se. E a Flor voou de suas mãos. Estava liberta e completa.
Ela olhou nos olhos Dele.  Sentia-se feliz.
Olharam mais uma vez o calmo lago. A Flor sorriu-lhes.
Durante o trajeto de volta, Ela pensava que a vida poderia ser sempre assim, simples com tudo em seu lugar, como a mata, os pássaros, a chuva, o céu;  e queria ser a Flor naquele momento, ficar ali , enraizar naquele lago, aflorar, encantar a paisagem e partir leve e plena  numa manhã de sol.




sábado, 22 de agosto de 2015

Mulher arte




                                                                   Tela: Hassan


Eu estou aqui, há uma palestra ao fundo... Cecília  Meireles ... Virgínia Woolf... e eu estou aqui, mulher-arte, mas estou lá do outro lado também, mulher-existência.

No céu  que sobrevoa o jardim, há pássaros e flores, vento e folhas ... e eu estou aqui. Sinto a essência das palavras, mas sinto também a essência do que vive lá fora. Aqui me chama, lá me envolvo.

Entre esses dois mundos em que estou agora, há um muro de concreto, ele sobe pelos ares, vejo-o pela janela. Eu, o muro, a palestra. Tudo sumindo, tudo indo, tudo vindo. As palavras ao fundo...

Vou transpondo esse muro de concreto, eu e a arte, eu e a vida, eu e a existência sempre inacabada, indecifrável.

terça-feira, 14 de julho de 2015





Foto : Cottage Industry


Um rádio tocava na mesa da varanda
As roupas voavam  sob o sol
 As paredes respiravam o 
 vento da manhã
 Minha avó no fundo do quintal 
pintava aquarelas 
 e eu via o tempo
 secando seus pensamentos.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

sábado, 24 de janeiro de 2015

Enquanto escrevo




Enquanto escrevo
a cadeira gira
a máquina despeja a água
um pássaro canta
uma criança grita

Enquanto escrevo
a máquina trepida
com o impacto do caminhão
o avião atravessa meu silêncio

Enquanto escrevo
as ideias fogem
busco imagens
escuto vozes na casa ao lado

Enquanto escrevo
as palavras dançam na minha mente
se misturam se entrelaçam
se separam se cansam
se edificam
e saltam
à procura de um espaço
no  vão do meu pensamento
 enquanto escrevo