sábado, 2 de fevereiro de 2013

Silêncio








O silêncio vem em gotas

engulo com receio seus pingos

que entranhando pela carne

me faz sorrir  

sim, meus amigos, 

o silêncio é feito de encantamentos


domingo, 16 de dezembro de 2012

Além de tudo

E quando  as portas brancas se abriram naquela incomum manhã de sol, não havia  ali quem pudesse lhe dizer onde estava, então sentiu um luar descer sobre seus olhos e o frio guardado da madrugada envolveu-lhe os longos cabelos.
O coração já não sentia as dores de fora e expelia as dores de dentro. Talvez fosse naquele exato instante o reencontro com o real sentido da vida.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Conversa com criança





_ E se a vida parar?
_ Você dá um empurrão nela e ela anda.
_ E se eu não puder andar?
_ Aproveita e brinca de estátua.
_ E se a estátua quebrar?
_  Pede pra sua mãe beijar que os cacos se colam. 
_ E se ...
_ Ah, cansei ... você fala demais ... vamos brincar?


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Antes da partida









Preciso correr
há coisas fora do lugar
o luar não me acompanha mais
o vento tem passado fraco
e as horas quentes 
já não queimam minha pele   

Preciso correr
colocar tudo no espaço certo
documentos perdidos nas gavetas
livros caídos no chão
roupas sujas na varanda

Preciso correr
tapar vazamentos
o portão emperrado
a parede sem janela

Preciso correr
abraçar velhas amigas
unir pai e filhos
abençoar a cria

Preciso correr
pedir a benção aos céus
beijar o chão
erguer as mãos
aprender a voar 
para não ver o tempo
 me levar

sábado, 29 de setembro de 2012

Preciso me encontrar - CARTOLA








Preciso me Encontrar
Letra: Candeia
Música: Cartola
Album: Cartola (1976)

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar...

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar...

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois que eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois, depois
Que eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois, depois
Depois que eu me encontrar...

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Lampejo

Era tarde e a saia leve voava sob o reflexo da lua.
Estrelas vazias sem memória mergulhavam na quietude da noite.
Tristeza era estar ali no alto da montanha e nada ver.
Tristeza era esconder-se debaixo dos crimes do sol e da lua e não reconhecer a chegada da manhã.
Tragos de lucidez, de vez em quando, iluminavam os pensamentos mortos e nessas horas tão lentas, os pés caminhavam em direção ao desconhecido.
Sutilezas do espírito que deixava  transparecer um risco de alegria na bêbada e louca escuridão.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Rumo









Um pedaço de papel 
ditava o destino 
de sua vida