Salto de precipícios para encontrar palavras. Às vezes as capto no ar, no céu claro ou em lugares escuros. Também as vejo na lua e lá um anjo me diz: "Tome são tuas".
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
domingo, 26 de março de 2017
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
terça-feira, 18 de outubro de 2016
E esperou passar ...
passaram as nuvens
vieram as luas
os ventos mudaram destinos
e esperava passar ...
passaram as pessoas
as palavras
os versos e as poesias
e a espera se multiplicava ...
vieram noites sem fim
dias sem noite
e um dia tudo passou
a espera se dilacerou
e a chegada desejada
jamais alcançou
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Eram três na estrada: a Flor de lótus, Ela e Ele.
Caminhavam rapidamente. Tinham uma missão: devolver a liberdade à flor.
Percorriam a estrada de pedras e terra. A floresta os espiava.
Cada passo dado ,deixava mais distante a cidade e suas vidas. A Flor se despedira horas antes da casa em que fora hospedada por Ele.
Ela e Ele não se despediram de nada, sabiam que voltariam aos seus destinos e por isso iam apressadamente pelo caminho.
Ela era urbana e se surpreendia pelas coisas que Ele lhe mostrava como a borboleta transparente, os gritinhos da rãzinha, as plantas medicinais. De dentro da sacola em que se acomodara, a Flor ria das expressões de surpresa da amiga e da admiração que sentia pelas flores.
No caminho dois cães se juntaram ao cortejo. Eram cinco agora , fora os elementais que brincavam na floresta e resolveram seguir a procissão.
Chegaram. Era uma tarde chuvosa e sonolenta. Ele cuidadosamente retirou a Flor da sacola, acomodou-lhes as folhas, olhou o lago, procurou o melhor lugar para deixá-la. Despediram-se. E a Flor voou de suas mãos. Estava liberta e completa.
Ela olhou nos olhos Dele. Sentia-se feliz.
Olharam mais uma vez o calmo lago. A Flor sorriu-lhes.
Durante o trajeto de volta, Ela pensava que a vida poderia ser sempre assim, simples com tudo em seu lugar, como a mata, os pássaros, a chuva, o céu; e queria ser a Flor naquele momento, ficar ali , enraizar naquele lago, aflorar, encantar a paisagem e partir leve e plena numa manhã de sol.
sábado, 22 de agosto de 2015
Mulher arte
Tela: Hassan
No céu que sobrevoa o jardim, há pássaros e flores, vento e folhas ... e eu estou aqui. Sinto a essência das palavras, mas sinto também a essência do que vive lá fora. Aqui me chama, lá me envolvo.
Entre esses dois mundos em que estou agora, há um muro de concreto, ele sobe pelos ares, vejo-o pela janela. Eu, o muro, a palestra. Tudo sumindo, tudo indo, tudo vindo. As palavras ao fundo...
Vou transpondo esse muro de concreto, eu e a arte, eu e a vida, eu e a existência sempre inacabada, indecifrável.
terça-feira, 14 de julho de 2015
domingo, 22 de fevereiro de 2015
sábado, 24 de janeiro de 2015
Enquanto escrevo
Enquanto escrevo
a cadeira gira
a máquina despeja a água
um pássaro canta
uma criança grita
Enquanto escrevo
a máquina trepida
com o impacto do caminhão
o avião atravessa meu silêncio
Enquanto escrevo
as ideias fogem
busco imagens
escuto vozes na casa ao lado
Enquanto escrevo
as palavras dançam na minha mente
se misturam se entrelaçam
se separam se cansam
se edificam
e saltam
à procura de um espaço
no vão do meu pensamento
enquanto escrevo
domingo, 16 de novembro de 2014
Conto bolinhas de um quadro para passar o tempo e incuco com sensações abstratas que levam ao caos. E há um caos no pensamento sempre que se divaga e se submete o pensamento a forças fracas da compreensão da realidade.
Viver é mais difícil do que presume o divã à frente da porta. "Sente-se", dizia a mulher no casaco bem passado com botões de madrepérola. Contei os botões para fugir às falas inconclusas da acadêmica formada em Harvard.
E o tempo se foi ... com as bolinhas, com os botões, com os pensamentos. E a tarde ... ah a tarde ... caiu. Indiferente a todos os tormentos inúteis.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
O trabalhador arquivo ontem e hoje - Reeditado

Foi na adolescência (década de 80), que li pela primeira vez o conto "O arquivo", de Victor Giudice. Lembro-me, ainda, da sensação de estranheza que o texto me causou.
Falava de um trabalhador que ao fim de um ano de serviços prestados obtinha uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. Com o passar do tempo seu salário era cada vez mais reduzido, sua condição de vida piorava. Teve que mudar para locais mais pobres e longe do trabalho, até ficar ao relento. Quase não comia, não dormia e mal se vestia.
Quando completou quarenta anos de serviço, a chefia o convocou. Havia sido premiado: não teria mais salário nem férias.
O trabalhador, cansado, pois havia atingido o tempo total de trabalho,tentou requerer a sua aposentadoria, mas o patrão lhe dissera para aguardar, porque ele já era um desassalariado, teria que pagar uma taxa inicial para permanecer no quadro de funcionários.
Fora toda essa barbárie, o que mais me chocou no texto, na época, foi o fato de ao final de sua vida, o trabalhador se transformar em um arquivo: " As formas se desumanizaram, planas, compactas. Nos lados havia duas arestas. Tornou-se cinzento ... um arquivo."
Naquele tempo, acostumada a ver meu pai, metalúrgico em São Bernardo do Campo, a lutar por seus direitos e gritar por dignidade nas grandes greves do ABC, muitas vezes ao lado de Lula (quem diria) , achava maluquice aquela cena, coisa capaz de acontecer somente na Literatura. Mas, hoje, passados bem mais de vinte anos, vejo como isso é bem possível. Nós trabalhadores honestos e responsáveis como o João do conto, estamos nos transformando lentamente em arquivos, quando a cada dia que nasce, vemos nossos direitos sendo reduzidos: o direito ao descanso, o direito a um aumento justo, o direito ao atendimento médico de qualidade, o direito à Educação e outros tantos direitos soterrados.
Estamos nos transformando em arquivos a cada plenária no congresso, quando criam mais e mais leis para reduzir nossas chances de ter um padrão adequado de vida.
Em pleno século XXI, milhões de arquivos perambulam pelas ruas. O que difere o trabalhador arquivo de agora e o personagem criado por Giudice é que aquele foi transformado em metal, mais resistente; e o de agora, mais moderno, é feito à base de papel reciclável, que é para ser manuseado e reutilizado muitas vezes, assim, quando não prestar mais, apenas um sopro será capaz de eliminá-lo.
E no século XXII, que estranho objeto seremos?
Falava de um trabalhador que ao fim de um ano de serviços prestados obtinha uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. Com o passar do tempo seu salário era cada vez mais reduzido, sua condição de vida piorava. Teve que mudar para locais mais pobres e longe do trabalho, até ficar ao relento. Quase não comia, não dormia e mal se vestia.
Quando completou quarenta anos de serviço, a chefia o convocou. Havia sido premiado: não teria mais salário nem férias.
O trabalhador, cansado, pois havia atingido o tempo total de trabalho,tentou requerer a sua aposentadoria, mas o patrão lhe dissera para aguardar, porque ele já era um desassalariado, teria que pagar uma taxa inicial para permanecer no quadro de funcionários.
Fora toda essa barbárie, o que mais me chocou no texto, na época, foi o fato de ao final de sua vida, o trabalhador se transformar em um arquivo: " As formas se desumanizaram, planas, compactas. Nos lados havia duas arestas. Tornou-se cinzento ... um arquivo."
Naquele tempo, acostumada a ver meu pai, metalúrgico em São Bernardo do Campo, a lutar por seus direitos e gritar por dignidade nas grandes greves do ABC, muitas vezes ao lado de Lula (quem diria) , achava maluquice aquela cena, coisa capaz de acontecer somente na Literatura. Mas, hoje, passados bem mais de vinte anos, vejo como isso é bem possível. Nós trabalhadores honestos e responsáveis como o João do conto, estamos nos transformando lentamente em arquivos, quando a cada dia que nasce, vemos nossos direitos sendo reduzidos: o direito ao descanso, o direito a um aumento justo, o direito ao atendimento médico de qualidade, o direito à Educação e outros tantos direitos soterrados.
Estamos nos transformando em arquivos a cada plenária no congresso, quando criam mais e mais leis para reduzir nossas chances de ter um padrão adequado de vida.
Em pleno século XXI, milhões de arquivos perambulam pelas ruas. O que difere o trabalhador arquivo de agora e o personagem criado por Giudice é que aquele foi transformado em metal, mais resistente; e o de agora, mais moderno, é feito à base de papel reciclável, que é para ser manuseado e reutilizado muitas vezes, assim, quando não prestar mais, apenas um sopro será capaz de eliminá-lo.
E no século XXII, que estranho objeto seremos?
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Entre sonhos e telhados
Aquele telhado gasto pelo sol, pela neve, pelo vento, pela chuva não é o mesmo do tempo dos teus sonhos. Aquele tempo em que ilusões banhavam os muros do seu coração.
Mudam-se os sonhos, mudam-se os telhados, mas o céu azul é o mesmo guardião invisível dos olhos seus.
domingo, 20 de julho de 2014
Senhora das horas
Não sei se a morte canta ou encanta, se sussurra ou esbraveja, o fato é que numa tarde clara e tranquila do mês de julho, sentou-se ao meu lado num café, com uma xícara vazia, como o fundo de seus olhos. Não trazia nenhum capuz preto, nem um olhar torturante e semblante imponente. A expressão era de calma e pensamentos perdidos. Sua cor era indefinida entre um tom de cinza e verde, cor sem brilho, opaca. Seus dedos prostraram-se sobre a borda da xícara sua cabeça virava mansamente de um lado ao outro. Enquanto o café queimava minha boca, meus dedos congelavam na página do livro que lia.
Uma cena normal, diria qualquer um que visse duas mulheres tomando um café, ou quase isso, numa tarde do mês de julho, mas somente um bom observador, seria capaz de ver que, naquele momento, somente duas coisas se moviam: a fumaça do café e a cabeça da mulher. Em segundos, nossos olhos se encontraram. Foi com um ar de desalento e descuido, que ela me ignorou e sumiu.
Não sei se eu a enganara ou se ela me excluíra do seu programa triste, daquele incomum entardecer de inverno.
Não sei se eu a enganara ou se ela me excluíra do seu programa triste, daquele incomum entardecer de inverno.
sábado, 21 de junho de 2014
País do futebbol
País do futebol
"Oh mundo tão desigual"
No sul "elite branca" contando centavos para comer
No norte índios esquecidos à própria sorte
No nordeste a seca comendo a alma da morte
crianças sentadas no chão
ouvindo o som da fome
No sudeste madrugada
ninguém dorme
a violência rindo da cara da gente
enquanto isso no planalto central ...
tudo vai ficando ainda mais descomunal
enquanto isso no planalto central ...
tudo vai ficando ainda mais descomunal
"Oh mundo tão desigual"
e eu moro no país do futebol
No time em campo cores unidas
Mas na TV tem política de mentira
que joga numa ponta os negros
e noutra os brancos
"Oh mundo tão desigual"
E eu moro no país do Futebol
da desgraça do trem cheio
da fumaça, da cachaça e da trapaça
sábado, 15 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Voa Liberdade -Jessé
Voa, voa minha liberdade
Entra, se eu servir como morada
Deixa, eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada
Voa feito um sonho desvairado
Desses que a gente sonha acordado
Voa coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado
Voa nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade esta ilusão
Voa no estalo do meu grito
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Vôa...
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
urgências
a pilha de livros inacabados no canto do quarto
a palavra que passou sem ser ouvida
a canção que não pude cantar
a viagem que não fiz
o olhar que não pude ver
passa vento
pelos meus cabelos
despenteia o encanto
passa vento
pelos meus cabelos
despenteia o encanto
carrega este tempo insensato
que impregnou
nos contornos do meu corpo
sábado, 14 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
mulher rendeira
e tecer
tecer sem pensar em nada
ver apenas o encontro de pontos e linhas
sentir flores brancas
voarem de minhas mãos
domingo, 1 de setembro de 2013
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